A HP e eu

Rita BalotaJaneiro de 2001: começava um novo ano e uma nova vida para mim. Em um exame admissional, a médica detectou uma batida errada do meu coração. Os dias se passaram e as notícias eram cada vez mais estranhas. Eu tinha 24 anos, uma vida normal, nenhum sintoma e de repente fiquei sabendo que estava doente.

Em março do mesmo ano, fui operada para corrigir um CIA (comunicação Inter atrial – um furo entre os átrios). Os médicos acreditavam que o outro problema, a Hipertensão Pulmonar, seria resolvido. Passado algum tempo, ficou constatado que a HP não diminuiu com a cirurgia e os sintomas ficaram ainda mais evidentes. Provavelmente, a CIA era uma maneira do meu corpo “aliviar a pressão”.

Já se passaram 15 anos. O susto (misturado com medo, pavor, raiva) de saber que tenho uma doença rara, progressiva e sem cura  foi amenizado pela consciência que posso viver com limitações mas com a mesma alegria de antes.

Moro em Brasília, sou professora e continuo meu tratamento para a HP.  Sou uma das coordenadoras do Grupo de Apoio de Hipertensão Pulmonar de Brasília  e voluntária da Abraf. Hoje, dou muito mais valor para cada segundo da minha vida.

– Rita Balota