Meu Amor Eterno

Paula Menezes eu mamiMinha mãe foi diagnosticada em janeiro de 2005. Até conseguirmos o diagnóstico, foi uma peregrinação de mais de 1 ano em médicos de diversas especialidades. Ouvimos de tudo: bronquite, asma, enfisema, problemas psicológicos e excesso de sol (ao invés de perceberem que a pele dela era escura pela falta de oxigênio, disseram que deveria colocar black out nas janelas para evitar o sol).

Naquela época, a HP era bem mais desconhecida. Simplesmente não conhecíamos ninguém com esta doença, e a única fonte de informação que tínhamos era o Google, que nos dizia que ela morreria em 2 anos e 8 meses.

Então, buscamos de maneira incansável o tratamento para ela. Em junho do mesmo ano, descobriram a causa da HP: esclerodermia. Ficamos muito felizes com a notícia, pois a ignorância era tanta que achávamos que, sabendo a causa, a HP seria mais facilmente controlada. Simplesmente não tínhamos noção de que HP devido à esclerodermia é uma das piores formas da doença.

Um ano depois, a médica nos disse que o tratamento já não estava fazendo efeito. Ela receitou um medicamento que custava R$12.000 por mês. Meu pai comprou o medicamento por 2 meses, mas, no terceiro mês, pediu para eu intervir, já que estava no último ano da faculdade de Direito. Entrei com um mandado de segurança e meu pai fundou a Abraf. O Estado continuava negando a medicação, mas, felizmente, conseguimos na justiça o Direito ao recebimento. Foi um dia de muita alegria: não contamos para ela que o julgamento ia ocorrer, pois a deixaria muito nervosa e poderia descompensá­la. Saindo da faculdade, fui direto ao tribunal para assistir o julgamento e, por isso, atrasei a visita ao hospital. Ela, brava, como sempre, me ligava sem parar, mas eu não atendia, porque estava muito nervosa e a ponto de chorar. Sentia como se a vida dela estivesse nas minhas mãos. Eu, meu pai e meu irmão ouvimos demos as mãos e ficamos esperando a hora de decisão: quando ouvi “provido”, meu coração disparou. Foi a maior vitória da minha vida.

Saí correndo do tribunal para o hospital. Nem liguei para ela porque queria dar a notícia ao vivo. Entrei no quarto e disse: “braveza, eu atrasei porque fui assistir ao julgamento do seu processo. Conseguimos o medicamento, mãe!”. Que emoção. Já se passaram
quase 10 anos, mas, sempre que lembro do rosto dela alegre e emocionado, choro.

Infelizmente, 1 ano depois, em 09/08/07, ela faleceu. O Google tinha dado o prognóstico certo: 2 anos e 8 meses. Com a sua morte, minha vida ficou em preto e branco. Mas decidi que iria carregar comigo e mostrar ao mundo o melhor que herdei dela: o otimismo e a alegria.

Segui na Abraf. De lá para cá, organizamos 5 eventos nacionais, 1 internacional, representei o Brasil em diversos Congressos, conquistamos muito espaço (ainda longe do necessário) diante do Governo e contamos com mais de 400 associados à Abraf. Neste momento, sou presidente da Abraf e vice­presidente da Sociedade Latina de HP. Também faço parte do staff que criou e manté o portal HPaqui.

Sem dúvida, uma missão maravilhosa que minha mãe amada me deixou.

– Paula Menezes