Flávia Lima

Não sou atleta. Sou jornalista, voluntária da Abraf e uma das líderes do Grupo de Apoio de Hipertensão Pulmonar de Brasília. Sou sonhadora e admiradora do mundo das corridas. Quero muito abraçar o mundo e correr uma meia maratona.
A corrida entrou na minha vida em 2014. Levava uma vida sedentária e buscava uma atividade física que me desse prazer. Naquele ano, me dei de presente seis meses de treinos com uma personal trainer, a Carla, hoje uma querida amiga. Caminhava os 4km do menor percurso do Parque da Cidade, em Brasília. Comecei a correr trechos bem curtos, alternando corrida leve com caminhada. Foi então que a Carla disse que eu conseguiria correr os 4km direto. Delírio da cabeça dela, pensei. Enquanto eu achava que nunca daria conta, Luciano, meu amor, foi lá, tentou e conseguiu. Ele sempre foi mais ousado na vida. Decidi arriscar. Nunca vou me esquecer dos primeiros 4km: eu me senti uma vitoriosa naquele momento.
O meu encanto com a corrida não é maior que a admiração que sinto pelo Team PHenomenal Hope. Conheci, em Dallas, no encontro da PHA, a dra. Patricia George, quem criou este projeto. Ouvia histórias contadas com entusiasmo pela Paula sobre tudo que o Team fazia de incrível nos Estados Unidos. Acompanhei a trajetória dos quatro atletas brasileiros em 2016. E estava presente no dia do grande desafio, em 22 de outubro, na ultra-maratona Bertioga-Maresias. Fiz parte de um sexteto formado por familiares de pacientes de hipertensão pulmonar e amigos da causa.
Ainda me recuperando de uma tendinite no quadril e sem ter conseguido treinar, eu corri o menor trecho, todo na praia. Foram 5,6 km sentindo dor, mas emocionada e grata por estar ali vivendo aquele momento. Corri pela Stefany, minha irmã, que faleceu em 2013 em decorrência da hipertensão pulmonar. Corri pelos pacientes que lutam dia após dia para viver. Corri por mim mesma, para me sentir viva.
E agora que estou aqui e tenho a honra de fazer parte deste time, o que dizer? Que desejo fazer o que tiver ao meu alcance para contribuir com a missão deste projeto incrível, que é divulgar a hipertensão pulmonar Brasil afora, usar o esporte para chamar a atenção da sociedade, da classe médica e do governo para a doença e lutar por um futuro melhor para os pacientes. São eles a razão disso tudo. Posso até não conseguir alcançar grandes distâncias, mas qualquer km que eu correr será com um amor imenso pela minha irmã, pelos meus amigos da HP e por essa causa que também é minha.