Ricardo Panato

Quando pequeno, o sonho era ser motorista de caminhão, motorista de ônibus ou jogador de futebol. Os dois primeiros sonhos duraram muito pouco, é verdade, mas o de me tornar um jogador de futebol durou até quando a idade já dava todos os sinais de ser tarde demais… A juventude passou e a paixão pela prática esportiva, não. Sempre tive um apreço um pouco diferente para os treinos, para as metas… Ao contrário da maioria, sempre gostei delas. E sempre que deixava de tê‐las acabava me sentindo um pouco diferente, um pouco vazio… Na época da fantasia de criança, sonhava com os jogos oficiais, as vitórias, mas também sonhava com os treinos, com a evolução, com a dedicação… O esporte é, portanto, sinônimo de boas sensações para mim. Tenho exata noção de que ele tem íntima relação com meu bem estar, e também por isso encontrar uma companheira com gosto pelo esporte parecia fundamental…

O encontro dessa companheira acabou sendo, então, recheado: alguém que não apenas tem prazer pelo esporte como disciplina e uma enorme determinação. E foi assim que surgiu o desafio de juntar‐me ao Team PH Brasil!

Minha esposa é filha de uma paciente de Hipertensão Pulmonar, que infelizmente não pude conhecer. Quando entrei na vida da Paula Menezes, a criadora desta equipe, sua mãe já não estava mais ao lado dela. E não tinha como não me solidarizar com a dor dessa ruptura… Desde as primeiras histórias contadas, os relatos da época, com a dor permeando as palavras, aos reflexos e à sensibilidade do presente… Queria ajudar de alguma forma: entender, compreender, apoiar, suprir uma lacuna, mesmo que em muitos casos eu já soubesse que seria impossível, seria em vão… E assim o nosso relacionamento foi crescendo. Eu admirando a sua força e perseverança em prol da causa que tinha iniciado em nome da mãe, mas que ganhara vida própria e já não poderia ficar sem o envolvimento e a dedicação da filha… Foi num evento de Hipertensão Arterial Pulmonar, há 2 anos, no Chile, que pedi em casamento a mão dessa filha dedicada. Queria revelar aos muitos presentes o amor que sentia por aquela lutadora. E mesmo hesitando no início, por acreditar que todo esse envolvimento estava machucando ainda mais o coração daquela menina, acabei compreendendo que a grandeza da sua missão era, na realidade, bem mais relevante; e que eu deveria, então, apoiar no que me fosse possível, para que aquela filha, hoje o amor da minha vida, continuasse desenvolvendo seu lindo trabalho… Por isso é que, hoje, esporte, HP e o amor estão assim tão ligados em minha vida… Paula Menezes, amo você!