Um dia de superação e amor, muito amor – Flávia Lima

screen-shot-2016-11-01-at-14-15-17Superação e amor. Essas seriam as palavras que eu escolheria para descrever o dia 22 de outubro de 2016, no litoral norte de São Paulo, local onde aconteceu a Maratona de Revezamento Bertioga-Maresias. Não foi uma simples corrida. Foi um momento que ficará marcado na história da comunidade de hipertensão pulmonar no Brasil.
Naquele dia chegava ao fim o ciclo de corridas de 2016 do Team PHenomenal Hope Brasil, o primeiro braço internacional do Team PHenomenal (PH é um acróstico para Pulmonary Hypertension) Hope, dos Estados Unidos. Depois de quase um ano intenso de treinos e provas nas cidades onde a Abraf tem grupos de apoio, chegara, enfim, o grande desafio: cada um dos quatro atletas amadores e voluntários do projeto correria 75 quilômetros solo. E assim aconteceu. Três atletas dos Estados Unidos vieram ao Brasil para correr junto com eles. Debaixo de chuva, com coragem e muita força de vontade. Não foi fácil. Gratificante ver cada um dos atletas concluir todo aquele imenso percurso. A chegada da Paula, acompanhada da Marina, foi a mais esperada por todos nós. Depois de onze horas de prova, lá estava ela, muito emocionada, sendo recebida por pacientes que viajaram de São Paulo e Joinville para prestigiar este momento único. Sorte a minha que pude estar lá para viver este dia.
screen-shot-2016-11-01-at-14-15-29Tive a felicidade de fazer parte de um sexteto formado por familiares de pacientes e amigos de causa. Junto comigo, correram Evander, Gilmara, Gabi, Adriana e Guilherme. O Evander é marido da Diniz, nossa querida paciente de Brasília e voluntária do projeto Estamos Aqui no Hospital Universitário de Brasília. Nós três viajamos até São Paulo para viver toda essa emoção. Levamos conosco, no coração e no pensamento, todos os pacientes do nosso Grupo de Apoio de Brasília.
Nunca vou me esquecer deste sexteto incrível: das estratégias de apoio e da empolgação da Gabi; da emoção e do abraço da Gilmara na chegada; do sorriso da Adriana antes de começar a correr; da concentração e da força do Gui; da tranquilidade e da rapidez do Evander. E como não lembrar do momento em que cruzamos a linha de chegada e encontramos os pacientes que ali estavam, com sorrisos lindos nos rostos e segurando aqueles balões azuis? Minhas pernas tremeram e meu coração bateu mais forte. Acho que não serei capaz de agradecer a cada uma das pessoas que me recebeu com tanto amor. Obrigada, mil vezes obrigada.
Hoje, mais de uma semana depois do dia 22, ainda me emociono ao recordar tudo que vivi. Os 5,6 km que corri duraram uma eternidade. O menor trecho do revezamento foi, para mim, infinito. Desde os primeiros cinco minutos de prova, já sentia muita dor no quadril. Pensei mil vezes em desistir e em buscar ajuda. Mas alguma coisa me dizia que valeria a pena tentar. E valeu. Conseguia parar de pensar na dor quando olhava para o mar e me dava conta da minha pequenez neste mundão tão grande e nesta vida tão cheia de mistérios. Pensava nos pacientes que hoje são tão importantes para mim, pensava na Cris, pensava nos atletas que também corriam pela mesma causa. E pensava, sobretudo, na Stefany. Ela que gostava tanto de praia e de estar perto do mar, era a força que me fazia dar cada passo e o amor que pulsava no meu peito. E era o amor dela – e o meu por ela – que transbordava dentro de mim. E que fez aquele momento se tornar ainda mais mágico e especial.
Tudo isso que vivemos fez parte de um projeto que tem como objetivo sensibilizar a população a assinar uma petição online para que possamos pressionar o governo a oferecer um tratamento digno aos pacientes de hipertensão pulmonar.
A superação que vivemos ali, em um dia, não chega perto da superação que os pacientes de hipertensão pulmonar enfrentam, dia após dia, em busca de tempo e qualidade de vida.
Ainda dá tempo de contribuir com nosso abaixo-assinado: http://chn.ge/1W3fZMt
É rápido e pode nos ajudar a salvar vidas.
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Por Flávia Lima